Quatro décadas depois de nascer da ousadia de cinco jovens colegas de trabalho em Porto Alegre, a empresa se tornou uma referência nacional em software para automação industrial e gerenciamento de processos em tempo real

Tudo começou em 15 de setembro de 1986, quando cinco colegas do departamento de automação de uma grande empresa decidiram abrir seu próprio negócio: a Controle Sistemas Industriais, especializada em projetos de automação industrial sob medida. Uma decisão que, segundo Ricardo Haetinger, um dos fundadores e atual diretor-presidente da Elipse, foi tomada em meio a um cenário político e econômico turbulento, que vivia momentos de hiperinflação, representando um ato de grande risco, teimosia e ousadia.

Para sua satisfação e dos demais sócios da, na época, Controle Sistemas Industriais, os primeiros contratos surgiram rapidamente, com clientes como Siemens, Dana e Springer. A virada ocorreu em 1991. Depois de desenvolverem e testarem um software de supervisão junto a parceiros, os sócios decidiram mudar radicalmente o rumo do negócio: nascia a Elipse Software, uma empresa de software-produto. O sistema que motivou a mudança foi batizado de Elipse 21, o produto pioneiro da empresa.

Tela do Elipse 21, o primeiro software desenvolvido pela empresa em 1991

Ainda em 1991, a Elipse participou pela primeira vez de uma feira, a Eletroeletrônica, em São Paulo. O ano seguinte marcou a estreia internacional da empresa na Feira de Hannover, na Alemanha, e a abertura de sua primeira filial em São Paulo. Em 1993, a Elipse decidiu abrir sua primeira filial no exterior, em Miami, onde fecharia negócio com seu primeiro cliente norte-americano, a Lucas Deeco, em 1994. Um feito que reforçou sua presença nos Estados Unidos graças também ao apoio que recebeu de representantes conquistados na Índia e Argentina.

Estande da Elipse na Feira de Hannover. Elipse 21 em destaque

O reconhecimento também veio nesse período: a Elipse recebeu o Prêmio Talentos Empreendedores e o Prêmio Editorial, ambos do Sebrae, na década de 1990. Em 1996, o Elipse Windows, que, três anos depois, passaria a se chamar Elipse SCADA, nome que mantém até hoje, impulsionou ainda mais as vendas da empresa no Brasil e exterior. O ano de 2001 marcou o nascimento do Elipse E3, plataforma SCADA mais robusta voltada a grandes aplicações e que rapidamente conquistou clientes de peso, como a Elektro.

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Centro de operações da Elektro na época em que o Elipse E3 foi implementado em 2001

A expansão geográfica da Elipse seguiu a passos largos. Ainda em 2001, a empresa abriu um novo escritório em Curitiba. Em 2008, uma nova filial em Belo Horizonte. No mesmo ano, desembarque no mercado asiático com a inauguração de um escritório em Taiwan. Em 2009, a empresa lançou o Elipse Power, outro grande produto destinado à automação no setor elétrico, desde subestações até grandes usinas e centrais elétricas. Em 2011, ano que marcou seus 25 anos, a Elipse chegou ao Rio de Janeiro, completando o mapa de suas quatro filiais nacionais. Em 2012, a empresa lançou mais uma importante plataforma, o Elipse Plant Manager (EPM): historiador de processos voltado para o tratamento e análise das informações via os mais variados gráficos e dashboards.

Ao longo de seus 40 anos, a empresa também conquistou grandes prêmios e certificações. Iniciada em 1999, a parceria com a Microsoft vem sendo renovada anualmente e evoluiu para o status de Gold Certified Partner em 2006. O vínculo com a OPC Foundation, também firmado em 1999, mantém-se presente até hoje. Em 2014, a Elipse foi destacada pela consultoria Gartner em seus relatórios “Cool Vendor”. Mais recentemente, em 2023, a empresa passou a integrar também o Google Cloud Partner Advantage, disponibilizando seus produtos no Google Marketplace.

Durante a pandemia de Covid-19, a capacidade de acompanhar processos remotamente, sem a necessidade da presença física em plantas industriais e estações de tratamento, por exemplo, mostrou-se ainda mais valiosa. Diante daquele cenário de isolamento social, a empresa lançou sua plataforma de cursos EAD em 2021. Hoje, mais de 2 mil profissionais de automação se encontram devidamente capacitados através desta plataforma.

A última década também foi marcada pela ampliação do portfólio da Elipse. Batizado de Elipse FlexControl DCS, o software chegou para padronizar o desenvolvimento de aplicações independentemente do fabricante dos controladores. O Elipse Alarm Manager (ELAM) foi criado com o objetivo de auxiliar as plantas industriais a reduzirem o excesso de alarmes. O Elipse Gateway veio para agilizar a integração de dados do Elipse E3 e Elipse Power com o Elipse Mobile, plataforma móvel para integração com sistemas de automação. Já o Elipse DCIM levou a experiência da empresa em gerenciamento de infraestrutura para dentro dos data centers.

Em agosto de 2024, diante das exigências do novo marco regulatório do saneamento básico brasileiro, a empresa lançou o Elipse Water, uma evolução do Elipse E3 voltado para o controle de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A plataforma, hoje, encontra-se operando em mais de 34% dos municípios brasileiros, sendo utilizada por grandes empresas do país como o Grupo Aegea. Para apresentar todos estes produtos ao mercado, a Elipse tem participado de importantes feiras nacionais e internacionais de automação, como a ISA Show, Feira de Hannover, Fenasucro (Feira Nacional do Açúcar e Álcool), Sendi (Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica) e a Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente).

Recentemente, o tema da inteligência artificial também ganhou espaço na empresa. Em 2024, a Elipse passou a usar IA nas buscas de seu Knowledgebase. Neste ano, lançou o Elipse MCP Connector, serviço do Elipse Cloud que permite utilizar diferentes assistentes de IA, como Claude, ChatGPT ou qualquer outro compatível com o protocolo MCP, para buscar informações operacionais no EPM. Na última década, a Elipse também reforçou seu papel na formação de novos profissionais para o setor de automação via parcerias com universidades e escolas técnicas importantes, como a PUCRS, UFRGS, USP, UFMG, UNIFEI, entre outras.

Aos 40 anos, a Elipse mantém sua matriz sediada em Porto Alegre e quatro filiais em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, além do escritório em Kaohsiung, Taiwan. A Elipse-Taiwan, inclusive, mudou-se para uma nova e moderna sede no ano passado. Hoje, a Elipse soma mais de 53 mil cópias de seus sistemas instaladas ao redor do mundo e mantém uma equipe dedicada ao desenvolvimento de interfaces de comunicação, com mais de 500 drivers voltados à conectividade junto aos mais diferentes equipamentos e sistemas.

Auditório do novo escritório da Elipse-Taiwan inaugurado em 2025

Além de nomes históricos como a Petrobras, Elektro e Sabesp, a Elipse atende, atualmente, empresas como a CPFL, Enel Green Power, Engie, Light, Itaú, Motiva, Auren, Bunge, STIHL, TV Globo, Vale, Taiwan Power Company, entre outras. Uma vasta e variada lista que revela como seus produtos podem ser aplicados para automação dos mais diferentes processos e negócios.

Com a palavra, os executivos que fazem parte dos 40 anos da Elipse

Rubem Guimarães Netto Dias, coordenador do grupo de energia, revela ter muito orgulho de fazer parte dessa história.

“Os 40 anos da Elipse representam uma trajetória construída com confiança, inovação e trabalho junto aos seus clientes e integradores. Tenho muito orgulho de ter feito parte dessa história”, diz o coordenador.

Para a gerente comercial Claudia Messias, a Elipse evoluiu de uma empresa de software SCADA para um conjunto de plataformas que, integradas, formam um verdadeiro ecossistema de inteligência operacional. Evolução que foi fundamental para a empresa chegar ao patamar em que se encontra hoje.

“Hoje, somos referência no Brasil, com tecnologia nacional que compete de igual para igual com as melhores soluções internacionais. Tenho muito orgulho de ter participado dessa trajetória, construída com inovação, foco no cliente e compromisso com a qualidade”, afirma Messias.

Evolução também destacada por Gustavo Salomão, gerente da empresa em São Paulo.

“Nos 40 anos de liderança em automação da Elipse, mais precisamente nas últimas três décadas, pude acompanhar a evolução dos nossos sistemas SCADA, construindo parcerias duradouras e grandes amizades”, revela o gerente.

Alexandre Balestrin Correa, diretor de desenvolvimento, salientou a qualidade dos produtos criados pela empresa, qualidade que foi sendo incorporada ano após ano, fruto de muito empenho e aprendizado.

“Nos últimos 40 anos, aprendemos como construir e manter softwares sofisticados e robustos de classe mundial para operações industriais críticas”, afirma o executivo.

Já Flávio Englert, diretor de tecnologia, destaca a grande compatibilidade e flexibilidade da arquitetura dos softwares da Elipse, permitindo que possam ser mais facilmente atualizados independentemente do quão antiga seja a versão utilizada pelo cliente.

“Tratamos arquitetura, confiabilidade e compatibilidade como decisões de longo prazo. Isso explica por que o Elipse E3 está em campo desde 2001 e segue em evolução constante. Quem instalou nossos sistemas há 20 anos precisa poder atualizá-los hoje sem refazer a aplicação e, a cada nova versão, o produto tem que ser mais confiável e eficiente”, diz Englert.

Para Marcelo Salvador, diretor de negócios, quatro décadas não são apenas tempo, mas sim propósito acumulado. Segundo ele, a Elipse nasceu da convicção de que software bem-feito pode transformar indústrias, mas nada faz sentido sem a escuta.

“O que nos guiou até aqui foi a capacidade de ouvir clientes e parceiros integradores, transformando essas conversas em funcionalidades reais. Essa cultura de proximidade é o que diferencia a Elipse de grandes players globais e é o que vamos preservar e intensificar, construindo um ecossistema cada vez mais integrado e colaborativo”, afirma Salvador.

Segundo Rafael Farina, gerente de TI, viver 3/4 desses 40 anos não representa apenas fazer parte de uma empresa, mas sim de uma família.

“Ao longo dessa história, juntei minha família à família elíptica e, nessa fusão, descobri que todos somos um. Cada pessoa, cada história, cada conquista é parte daquilo que chamamos de Elipse”, diz ele.

Para o diretor-presidente, manter uma empresa brasileira de tecnologia relevante por quase meio século, concorrendo com gigantes multinacionais e enfrentando todo tipo de instabilidade econômica e regulatória que empresas de outros países desconhecem, é um desafio gigante. É exatamente por isso que os 40 anos da Elipse significam tanto para o gestor.

“A Elipse é a prova viva de que é possível construir uma empresa de tecnologia 100% brasileira, independente, íntegra e duradoura”, conclui Haetinger.

Alexandre, Flávio, Ricardo e Marcelo: sócios que conduzem a Elipse, hoje, junto de seus 70 colaboradores